03/09/2021

ACADEMIA CEARENSE DE LITERATURA DE CORDEL - ACLC(fundada em 23.08.2021)

ACADEMIA CEARENSE DE LITERATURA DE CORDEL

FUNDADA EM 23/08/2021

Foi criada  em assembleia virtual a Academia Cearense de Literatura de Cordel  (ACLC) , sendo eleita sua primeira diretoria, ficando na presidência Charles Melo, representante do município de Groaíras.

A diretoria ficou definida da seguinte forma: 

PRESIDENTE.           Charles Melo (Groaíras)

VICE-PRESIDENTE.  Pedro Sampaio (Caucaia)

TESOUREIRO.           Auri Lopes (Fortaleza)

SECRETÁRIO.           Pádua de Queiroz (Baturité)

ASSESSOR DE      COMUNICAÇÃO:  Esmeralda Costa  (Campos Sales)

 

CONSELHO FISCAL:

- Escrivão Joaquim Furtado (Fortaleza)

- José Roberto de Morais (Araripe)

- Antonio Hélio da Silva (Araripe)

 

O evento contou com a presença de 13 poetas cordelistas cearenses, além do  presidente da Academia Alagoana de Literatura de Cordel Diógenes Rodrigues Pereira . 

A assessora de comunicação da academia, Esmeralda Costa afirmou que essa será uma oportunidade para fortalecer a literatura de cordel do nosso estado, sendo um marco pra a manutenção para uma das principais formas culturais do nosso estado.


por Matheus Alencar

O repórter do Carirí



Jota JotAlencar

O nordeste por sua vez ganha mais e muito mais por formar essas entidades ricas em histórias com roupagem poética cultural, regional e local. 
Parabéns
 a todos pela iniciativa da fundação da (ACLC)! Academia Cearense de Literatura de Cordel (Em comentário na Página da Academia Cearense de Literatura de Cordel - facebook)

O PATRONO - ARIEVALDO VIANA


Arievaldo Viana Lima

Patrono

Arievaldo Viana

Madalena/Ce  - 18/09/1967

 

Bisneto do cordelista Fitico e filho do agricultor Evaldo, em 1977, aos 10 anos de idade, começou a escrever seus primeiros poemas.

 

Em 1982, começou a trabalhar no Jornal de Canindé, logo depois, passou a colaborar com o Caderno de Domingo no jornal O Povo, de Fortaleza, no ano seguinte, publica seu primeiros folhetos de cordel.

Em 1986, lançou "Canindé – Cidade da Fé", uma história em quadrinhos com influências do cordel em parceria com o poeta Gonzaga Vieira. Ao lado do irmão, Klévisson Viana, colaborou com o fanzine "Tramela".

Em 1995, Klévisson Viana funda a editora Tupynanquim, onde passa a editar cordéis e quadrinhos, Klévisson publicou seu primeiro cordel A botija encantada ou o preguiçoso afortunado, escrito em parceria com Arievaldo, em menos de dois anos, ambos publicaram por volta de 30 folhetos em parceria.

Arievaldo também atou como ilustrador de cordéis da editora Luzeiro de São Paulo, produzindo capas para cordéis de novos autores como Marco Haurélio, Moreira de Acopiara e de clássicos de Francisco Sales Arêda e João Melchíades Ferreira da Silva.

Arievaldo era membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na qual ocupava cadeira de nº 40, patronímica de João Melchíades Ferreira da Silva. No mesmo ano, lança o projeto projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, que utiliza a poesia popular na alfabetização de jovens e adultos, adotado pela Secretaria de Educação, Cultura e Desporto de Canindé, Ceará e diversos outros municípios brasileiros. Em 2005, a apostila do projeto se tornou um livro, além de folhetos, a edição trazia um CD com gravações de Geraldo Amâncio, Zé Maria de Fortaleza, Mestre Azulão e do próprio Arievaldo.

Seu cordel A moça que namorou com o bode, ganhou em 2003 uma versão em quadrinhos pelo seu irmão Klévisson, publicada pelas editoras Tupynanquim, Coqueiro e CLUQ, a adaptação ganhou o Troféu HQ Mix de 2004 como "melhor edição especial nacional".

Percorreu 10 estados ministrando oficinas e realizando palestras sobre literatura de Cordel. Arievaldo tem alguns trabalhos escritos em parceria com outros poetas.

Atuou como consultor e redator de uma série de programas da TV Escola sobre cordel.

Em 30 de maio de 2020, Arievaldo Viana faleceu por meio de uma infecção bacteriana gerada na dentição. A última obra publicada por Arievaldo foi Sertão em Desencanto (2016), na qual conta a história de sua família.

Obra

Lançou mais de 100 folhetos de cordel e tem vários livros publicados: O Baú da Gaiatice, São Francisco de Canindé na Literatura de Cordel, "Acorda Cordel na Sala de Aula - 2a edição revista e ampliada", "Dona Baratinha e seu casório atrapalhado", "O bicho folharal" e Mala da Cobra - Almanaque Matuto. Em 2014, publicou uma biografia sobre o grande poeta popular Leandro Gomes de Barros. Em 2010, foi publicado o álbum de quadrinhos, "História do Navegador João de Calais e de Sua Amada Constança", roteirizado por ele e desenhado por Jô Oliveira.

Livros publicados

A mulher fofoqueira e o marido prevenido
A vida de Gangão de rabo e seu defloramento
As proezas de Broca da Silveira (com Pedro Paulo Paulino)
Atrás do pobre anda um bicho
Brasil - 500 anos de resistência popular
Encontro com a consciência
Encontro de FHC com Pedro Álvares Cabral
galope para patativa e Castro Alves
História completa do navegador João de Calais
História da Rainha Ester
Jerônimo e Paulina - o prêmio da bravura
Luiz Gonzaga - o rei do baião
O batizado do gato
O casamento da raposa com o timbu
O crime das três maçãs
O divórcio da cachorra (com Klévisson Viana)
O príncipe Natan e o cavalo mandingueiro
Peleja da cachorra cantadeira com o macaco embolador (com Klévisson Viana)
Peleja de Zé Limeira com Zé Ramalho da Paraíba

Presepadas de Seu Lunga com um casal de caborés (com Klévisson Viana)
Rodolfo e Leocádia - a força do sangue
Romance da moça que namorou com um pai de chiqueiro
Romance de Luzia Homem
Um dia de eleição no país da bicharada
Um pagode no inferno ou a nova loura do cão
Melancia - Coco Verde - Editora CORAG RS
300 Onças - Editora CORAG RS
A ambição de Macbeth ou a maldade feminina - Editora CORTEZ
Padre Cícero, o santo do povo - Editora Demócrito Rocha
Sertão em Desencanto
A Peleja de Chapeuzinho Vermelho com o Lobo Mau, ilustrado por Jô Oliveira - Globo Livros
O Coelho e o Jabuti, ilustrado por Jô Oliveira - Globo Livros
João Bocó e o Ganso de Ouro, ilustrado por Jô Oliveira - Globo Livros
O Romance do Pavão Misterioso de José Camelo de Melo Rezende e João Melchíades Ferreira da Silva, em parceria com Jô Oliveira - Imeph

História do Navegador João de Calais e de Sua Amada Constançaa, álbum de quadrinhos, escrito por ele, com desenhos de Jô Oliveira - Editora FTD.

Os membros fundadores da Academia Cearense de Literatura de Cordel, por unanimidade escolheu o nome de Arievaldo Viana para Patrono da casa dos poetas cordelistas do estado do Ceará presidida pelo poeta Groaíriense Charles Melo.

No dia 30 de Maio de 2020, aos 52 anos, morre em Fortaleza, deixando de luto a imensa família de cordelista, além de uma lacuna impreenchível na história da cultura popular.


01 - PAULO FILHO
02 - PÁDUA DE QUEIRÓZ
ANTONIO HÉLIO
CHARLES MELO
ESCRIVÃO JOAQUIM FURTADO
ANTONIO MARCOS BANDEIRA
ARAQUEM VASCONCELOS
NAILSON ANSELMO
JOSÉ ROBERTO MORAIS
AURI LOPES
PEDRO SAMPAIO
ESMERALDA COSTA












12/07/2021

XEREM - O PAI DO FORRÓ

 

XEREM, O PAI DO FORRÓ

 

Quem é o pai do forró

Que o povo vive dançando?

Esta é a questão do momento

É o papo que está rolando

Suei muito minha camisa

Mas findei minha pesquisa

Eu vou lhe mostrar rimando.

 

O forró não é um ritmo

Nem um gênero musical

E sim um termo derivado

Do inglês para o regional

Quando o povo ia dançar

Na capital potiguar

O forró ou o “for all”.


Se bem que o meu inglês

É para espantar maluco

Não sou dono da verdade

I am not “caduco”

O forró nasceu em natal

Mais o dia nacional

Se comemora em Pernambuco.

 

Festa que era promovida

Pela tropa americana

Durante a segunda guerra

Mundial da raça humana

E os artistas da região

Tocavam com animação

Todo final de semana.

 

Esta é a história contada

Por um amigo entendido

Pesquisador do forró

E que é muito conhecido

Só não consigo entender

Porque ele foi esquecer

De um fato ocorrido.


Pois no ano trinta e sete

Antes da segunda guerra

Um registro fonográfico

Por um artista da serra

Foi feito naquele ano

Desse fato eu não me engano

E o cabra era da minha terra.

 

Pedro de Alcântara Filho

Era o nome do cantor

Nascido em Baturité

Minha terra, meu amor

Seu nome artístico Xerém

Brilhou no cinema também

Foi músico e compositor.

 

Embora Xerém não fosse

De TOP ou primeira linha

Ele foi e sempre será

Orgulho da minha terrinha

Mas pergunto aos brasileiros

Quem foi que nasceu primeiro

Foi o ovo ou a galinha?


Já batizaram o forró

E deram-lhe a paternidade

Ao grande Luiz Gonzaga

Que até hoje sinto saudade

O seu baião era bonito

Mas o “Forró de Mané Vito”

Só foi gravado mais tarde.

 

Primeiro o “forró na Roça”

Por Xerém foi gravado

E o “Forró do Mané Vito”

Só doze anos passados

O grande “Ri do Baião”

Foi fazer a gravação

Confesso não estou errado.

 

Em afirmar que Xerém

Com certeza é o pai

Do forró que o povo dança

Num gostoso vem e vai

Xote, baião e xaxado,

Coco, calango arretado

Um dançador bom não cai.


PÁDUA DE QUEIRÓZ




SÃO JOÃO BATISTA - O PRIMO DE DEUS

 

SÃO JOÃO BATISTA, O PRIMO DE DEUS

 

Por que no mês de Junho

Homenageamos São João?

E a fogueira no terreiro

Por que hoje é tradição?

E quem trouxe ao Brasil

Esta comemoração?

 

Uma festa para um Santo

Que admiro e estimo

Nos versos do meu cordel

Eu escrevo enquanto rimo

Porque São João Batista

De Jesus Cristo é primo.

 

Filho de Santa Isabel

E filho de Zacarias

Nasceu no final de junho

Vinte e quatro foi o dia

Sua mãe fez uma fogueira

E assim avisar Maria.


Sua prima que esperava

O messias, o Salvador

Que nasceria em Dezembro

Mas João foi o Precursor

Para anunciar ao mundo

A vinda do Redentor.

 

João viveu no deserto

E conforme estava escrito

Falava de um novo reino

De um amor infinito

E nas águas do rio Jordão

Batizou jesus Cristo.

 

Ele viveu numa época

De oprimidos e opressores

Sua verdade causava

Escândalo aos devedores

Então foi decapitado

Por cruéis perseguidores.


Sua cabeça exibida

Numa bandeja ornamentada

Cumpriu enfim sua missão

Conforme determinada

Pelos profetas de Deus

E a escritura sagrada.

 

Jesus Cristo, o Nazareno

Seu ministério seguiu

No deserto nunca mais

A voz de João se ouviu

E a partir do século quarto

A Santa igreja incluiu.

 

No calendário os festejos

Juninos em comemoração

A data de nascimento

Do profeta São João

Que entre os santos católicos

Tenho grande devoção.


Ao contrário de outros santos

Em que se homenageiam o dia

De sua morte e martírio

Lembramos com alegria

O aniversário de João

Filho de Zacarias.

 

Foram os padres Jesuítas

Oriundos de Portugal

Que trouxeram para o Brasil

No período Colonial

Na época essa novidade

Para cultura local.

 

Os indígenas agradeciam

Aos seus deuses a colheita

Com a catequização

Que estava sendo feita

A festança junina

Entre o povo foi aceita.


Como a fartura era tanta

Que dessa terra brotava

O povo miscigenado

Na colheita se animava

Agradecendo a São João

Antes da festa rezava.

 

Em mil oitocentos e oito

Com o bloqueio continental

A corte de Dom João Sexto

Chegou lá de Portugal

Abrindo um leque com o povo

E a corte imperial.

 

Uma carona com o santo

Nossa cultura pegou

No nordeste brasileiro

A festa enraizou

Cordel, quadrilha e forró

São João adotou.


Hoje a festa está completa

É cultura e tradição

Santo Antônio e São Pedro

Ao lado de São João

Formam a “Tríade Junina”

Na minha religião.

 

Estes três santos católicos

Já viraram patrimônio

Cultural na minha pátria

Pedro, João e Antônio

Dizem que fazem chover,

Batiza e faz matrimonio.

 

Eu já andei pelo mundo

Respirando outros ares

Pesquisando e aprendendo

As culturas populares

Mas igual a minha terra

Não vi em outros lugares.


Seis meses fico esperando

Ansioso este evento

Em Campina Grande e Caruarú

Faça Sol, chuva ou vento

As festas do mês de Junho

É o grande acontecimento.

 

Todo ano eu brinco e danço

Levando então meu cordel

Porque de São João Batista

Eu sou um servo fiel

Viva o primo de Deus!

Viva o filho de Isabel.

 

São João na capital

São João no Interior

São João festa do milho

São João do agricultor

São João dos Jesuítas

São João do Criador.


Que viveu em uma terra

De um rei cruel e sagaz

E eu vivo com os Jesuítas

Que já fez e ainda faz

Um elo de ligação

Do povo ao príncipe da paz.

 

As festas de São João

Sim, foi esta companhia

De jesus que inseriu

Aqui, trazendo alegria

E respeito a este santo

Que levava harmonia.

 

A voz clamou no deserto

E o mundo todo escutou

E foi Santo Antônio que disse

E São Pedro confirmou

Vamos amar nosso povo

Como São João amou.

 

Baturité, 08.07.2021


Esferogravura de Pádua de Queiróz




O CORDEL NO MOSTEIRO DOS JESUÍTAS - BATURITÉ/CE

 O CORDEL NO MOSTEIRO DOS JESUÍTAS


Um menino de origem pobre

Nasceu lá em Ibiapina

Hoje em Baturité

Com humildade ensina.

Começou os seus estudos

Com as irmãs “josefinas”

 

Seu sentimento fraterno

Estampado no sorriso

Me fez ver que a santa igreja

Na terra é meu paraíso

Oração, fé e amor

Tenho a paz que eu preciso.

 

Obrigado padre Eugenio

Meu bom padre Jesuita

Por valorizar a arte

Pelo apoio ao artista

E por estender a mão

Ao poeta cordelista.

 

Nasci em Baturité

No alto da igrejinha

E rimando, canto o quanto

É feliz a vida minha

Pense num cabra matuto

Pra amar sua terrinha

poeta Pádua de Queiróz

Padre Eugenio Pacelli, Poeta Pádua de Queiróz e Geilson Oliveira(Secretário Fundação de Cultura de Baturité)

Pádua de Queiróz

Pádua de Queiróz e Silvia Sales (Aquarela Turismo)


Esferogravura de Pádua de Queiróz - Padre Eugenio Pacelli

Auto-esferogravura - Pádua de Queiróz


Esferogravura - Pádua de Queiróz "A 106"



Pádua de Queiróz

08.07.2012


25/06/2021

ESFEROGRAVURAS DE PÁDUA DE QUEIRÓZ - JUNHO/2021















 

HOMENAGEM AOS 50 ANOS DE VIDA DE SILVANAR SOARES - POETA PÁDUA DE QUEIRÓZ

 

SILVANAR PEREIRA SOARES, O FILHO HOMEM

 


Eu sei que a vida vivida

É um belo desafio

Pra quem se propõe viver

Sem da fé ter um desvio

Cinquenta anos de luta

Tal qual um perene rio.

 

Eu comparo esta história

Que em versos quero narrar

Com um riacho pequeno

Que noutro vai desaguar

Se transformando num rio

Que corre de encontro ao mar.

 

Por onde este rio passa

Transforma o seco sem vida

Em uma bela paisagem

Verde, multicolorida

Lágrimas de felicidade

É a mão de Deus estendida.

 

Hoje é cinco de Junho

Dia do Meio Ambiente

E de Silvanar Soares

Um exemplo para gente

Afilhado de São João

Filho de um cabra decente.

 

Chamado Chico Soares

Que viveu mais de cem anos

Hoje certamente está

Ao lado do Soberano

Feliz por este seu filho

Magnifico ser humano.

 

Cinquenta anos de luta

Pode anotar no caderno

Silvanar está completando

Com as bençãos do Pai Eterno

Vivenciou no sertão

Chuva e escassez de inverno.


Dona Luzia Pereira

Foi uma mãe amorosa

De Silvanar, Luciano

E Itamar, orgulhosa

Dos filhos e com amor

Criou sem nenhuma prosa.

 

A infância dos meninos

No ambiente sertanejo

Eu imagino o cenário

E imaginando eu vejo

Saindo em busca de água

E a imagem vem num lampejo.

 

Duas horas da manhã

Um jumento e dois menino

Mais de uma légua de estrada

E um açude era o destino

Tarefa cotidiana

Na vida do nordestino.

 

E ao chegarem no açude

Um passava a encher

A ancoreta de água

Pra cozinhar e beber

E o outro ia pro mato

Juntar manga pra comer.

 

E já amanhecendo o dia

Para casa então retornava

Os dois meninos e o jumento

Que no lombo carregava

A água e o saco de manga

O pobre jegue penava.

 

Eu não sei se por vingança

Ou até mesmo fingimento

Para se livrar do peso

Que levava no momento

Deitou-se então no caminho

O companheiro Jumento.


Os meninos agoniados

Tentando em vão levantar

O jumentinho e sua carga

O remédio era esperar

Passar naquele caminho

Um adulto pra lhe ajudar.

 

Outra cena da infância

Desse nosso cinquentão

Cabe aqui um registro

Contado por seu irmão

Quando os dois moendo milho

Moeram foi uma mão.

 

Silvanar socava o milho

Colhido de seu roçado

Ao lado de Itamar

Que moía animado

De repente ouviu um grito

E ficou aperreado.

 

A mãozinha de Silvanar

Por descuido escapuliu

Pra goela do moinho

Que depressa engoliu

Mas a mão de Silvanar

Toda amassada saiu.

 

Um aluno nota dez

Era nosso personagem

Que sacrificou um ano

De estudo, foi coragem

Pra cuidar de pai e irmãos

Nessa triste passagem.

 

De sua vida que não era

Um sonho de uma criança

Porém Silvanar Soares

Com muita perseverança

Ficou em casa cuidando

Da família com esperança.



De ver voltar do hospital

Sua mãe admirável

Com a mesma disposição

Alegre e sempre saudável

“Silvanar não tem parêa

Oh, macho vei formidável.”

 

Puxou égua com arado

No roçado com seu pai

E foi pai de seus irmãos

Que do seu lado não sai

Hoje com cinquenta anos

Não escorrega e nem cai.

 

Continua o mesmo cabra

Da lagoa de São João

Sempre ao lado de seu povo

Um matuto cidadão

Hoje no rádio defende

A cultura do sertão.

 

Nossa região hoje tem

Uma divida com esse sujeito

Que lutou com dignidade

Por trabalho e direito

Homenagear em vida

É uma forma de respeito.

 

Eu sei que o tempo passou

Passou e não volta mais

E Silvanar continua

Trabalhando até demais

Hoje o que vemos no campo

Tem as suas digitais.

 

Quando temos fé em Deus

Podemos realizar

Cinquenta anos de história

E assim sem medo contar

Para a filha Maria Rita

Dona Silvinha, e é bonita

A vida de Silvanar.

 

Pádua de Queiróz – 05.06.2021