16/03/2026

A Literatura de Cordel: Origem, História, Estrutura, Estilo e Importância Cultural - MESTRE PÁDUA DE QUEIROZ

A Literatura de Cordel: Origem, História, Estrutura, Estilo e Importância Cultural

Introdução

A literatura de cordel é uma das mais importantes manifestações da cultura popular brasileira. Caracterizada por poemas narrativos impressos em folhetos e escritos em versos rimados, ela representa a voz do povo, suas histórias, crenças, lutas e sonhos. Ao longo dos séculos, o cordel se consolidou como uma forma de expressão artística que mistura poesia, narrativa, humor, crítica social e tradição oral.

Essa manifestação literária possui forte ligação com a história e com o cotidiano das comunidades nordestinas. O cordel é muito mais do que uma simples poesia impressa; ele é um registro da memória coletiva e um instrumento de preservação cultural. Nas feiras livres, nos mercados e nas praças públicas, os cordelistas apresentavam suas histórias em versos, encantando leitores e ouvintes.

No estado do Ceará, por exemplo, essa tradição é especialmente valorizada. Muitos poetas dedicam suas vidas à produção e divulgação dessa arte. Entre esses mestres destaca-se o cordelista Mestre Pádua de Queiróz, que atua na cidade de Baturité preservando e difundindo a literatura de cordel por meio de apresentações, projetos culturais e atividades educativas.

Este texto apresenta um estudo amplo sobre a literatura de cordel, abordando sua origem, história, estrutura, estilo, importância cultural e papel educativo.

 

CORDELIZANDO NA ESCOLA: XV BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ - 2025

1. Origem da Literatura de Cordel

A literatura de cordel tem suas raízes na tradição europeia. Durante a Idade Média, na Europa, especialmente em Portugal e Espanha, circulavam pequenos folhetos contendo histórias populares, romances, aventuras e narrativas religiosas. Esses folhetos eram vendidos em feiras e mercados.

O nome “cordel” surgiu porque esses folhetos ficavam pendurados em cordas ou barbantes para exposição e venda. As pessoas passavam pelas feiras e podiam observar os folhetos pendurados, escolher o que desejavam e comprar para leitura.

Essas histórias eram simples, acessíveis e escritas em linguagem popular. Muitas delas relatavam acontecimentos históricos, lendas, histórias de amor ou aventuras heroicas.

Com a colonização portuguesa, essa tradição chegou ao Brasil. Os colonizadores trouxeram não apenas costumes e religião, mas também práticas culturais e literárias, entre elas os folhetos populares.

No Brasil, especialmente no Nordeste, essa tradição encontrou terreno fértil para se desenvolver. A forte tradição oral da região contribuiu para que a literatura de cordel se adaptasse à realidade local.

POETA CORDELISTA MESTRE PÁDUA DE QUEIRÓZ FOTOGRAFADO POR SAMUEL MACEDO

2. O Desenvolvimento do Cordel no Brasil

 

Ao chegar ao Brasil, o cordel passou por transformações importantes. Ele deixou de reproduzir apenas histórias europeias e passou a retratar a realidade brasileira.

No Nordeste, os poetas começaram a narrar histórias sobre o sertão, sobre o cotidiano das comunidades, sobre acontecimentos históricos e sobre personagens populares.

As feiras livres tornaram-se o principal espaço de circulação dessa literatura. Nesses locais, os cordelistas vendiam seus folhetos e muitas vezes também declamavam seus versos para atrair compradores.

Esse costume era especialmente importante porque muitas pessoas não sabiam ler. Assim, a declamação em voz alta permitia que todos pudessem apreciar as histórias.

Os cordéis também ajudaram na alfabetização popular. Muitas pessoas aprenderam a ler utilizando esses folhetos, pois eles eram baratos e fáceis de compreender.

Além disso, o cordel passou a registrar acontecimentos importantes, funcionando como uma espécie de jornal popular. Tragédias, eventos políticos, histórias de cangaço, romances e lendas passaram a ser narrados em versos.

3. Temas da Literatura de Cordel

A literatura de cordel aborda uma enorme variedade de temas. Entre os mais comuns estão:

histórias de amor

aventuras

religião

humor

crítica social

lendas populares

fatos históricos

Também são comuns narrativas sobre personagens heroicos ou figuras populares do sertão.

Outro tema bastante presente é o cangaço, que marcou a história do Nordeste. Muitos cordéis narram histórias de valentia e aventuras envolvendo cangaceiros.

A religião também aparece frequentemente nos cordéis. Histórias de milagres, de santos e de fé fazem parte do repertório dessa literatura.

O humor é outro elemento importante. Muitos cordéis apresentam histórias engraçadas, críticas sociais e situações absurdas que provocam risos e reflexões.

4. Estrutura da Literatura de Cordel

A estrutura da literatura de cordel possui características próprias que ajudam a definir esse gênero.

A base do cordel é o verso. Cada linha do poema constitui um verso. Os versos são organizados em grupos chamados estrofes. Uma das estrofes mais comuns é a sextilha, que possui seis versos.

Exemplo de sextilha:  Eu já falei que me amo

Me adoro, me quero bem

Todo dia eu trabalho

Pra na vida ser alguém

É por isso que não me vendo

E nem me troco por ninguém.


(Mestre Pádua de Queiróz)

 

Além da sextilha, existem outras estruturas poéticas utilizadas no cordel, como:

septilha (sete versos):  Eu já plantei uma árvore

Colhi frutos, dividi

Relatei minhas vivências

Em livros que escrevi

Nesta vida de poeta

Com minha rima completa

Chorei, cantei e sorri.


(Mestre Pádua de Queiróz)

 

décima (dez versos):   Sou filho do Soberano

Sou da terra do café

Eu sou de Baturité

Sou um poeta serrano

Ser feliz é o meu plano

Porque gosto de escrever

Onde costumo viver

Livre “qui nem minino”

Quanto mais sou nordestino

Mais me orgulho de ser.

 

(Mestre Pádua de Queiróz)

 

Outro elemento fundamental é a métrica, que corresponde à contagem das sílabas poéticas. No cordel, os versos geralmente possuem sete sílabas. Essa estrutura rítmica permite que o cordel seja facilmente declamado ou cantado.

As rimas também são muito importantes. Elas dão musicalidade ao poema e facilitam a memorização dos versos. Entre os tipos de rima mais comuns estão:

rima alternada

rima emparelhada

rima cruzada

 

5. Estilo da Literatura de Cordel

O estilo da literatura de cordel é marcado pela simplicidade e pela expressividade.

A linguagem utilizada é geralmente simples e direta, baseada no modo de falar do povo. Isso torna os textos acessíveis a leitores de diferentes níveis de escolaridade.

Outro elemento importante é o uso de figuras de linguagem, como metáforas e comparações.

Por exemplo:

“Valente como um touro”

“Corajoso como um leão”

Essas expressões ajudam a tornar a narrativa mais viva e expressiva.

O cordel também utiliza regionalismos, ou seja, palavras e expressões típicas de determinadas regiões. Isso contribui para reforçar a identidade cultural das histórias.

Outro aspecto importante é a presença de narrativa. Muitos cordéis contam histórias completas, com início, desenvolvimento e conclusão.

Alguns cordéis também apresentam diálogos entre personagens, tornando a narrativa mais dinâmica.

Em muitos casos, o poema termina com uma moral da história, transmitindo algum ensinamento ao leitor.

 

6. Ilustração e Xilogravura

Um dos elementos mais marcantes da literatura de cordel é a xilogravura.

A xilogravura é uma técnica de gravura feita em madeira. O artista esculpe uma imagem em uma placa de madeira e depois utiliza tinta para imprimir essa imagem no papel.

Essa técnica é utilizada principalmente nas capas dos folhetos de cordel.

As xilogravuras costumam retratar cenas da história narrada no folheto ou representar personagens importantes da narrativa.

Além de cumprir uma função ilustrativa, as capas também ajudam a atrair a atenção do leitor.

A xilogravura tornou-se um símbolo da cultura nordestina e da literatura de cordel.

 

7. O Papel dos Cordelistas

Os cordelistas são os autores dessa forma de literatura. Eles são responsáveis por criar histórias, compor versos e divulgar seus trabalhos.

Muitos cordelistas aprendem sua arte por meio da tradição oral, ouvindo outros poetas e participando de apresentações e desafios poéticos.

Além de escrever, muitos cordelistas também declamam seus versos em público. Essas apresentações podem ocorrer em feiras, escolas, festivais culturais e eventos literários.

Os cordelistas desempenham um papel importante na preservação da cultura popular.


8. A Literatura de Cordel no Ceará

O Ceará é um dos estados brasileiros com maior tradição na produção de cordel. Muitos poetas cearenses dedicaram suas vidas a essa arte, contribuindo para sua preservação e divulgação.

O cordel faz parte da identidade cultural do estado e está presente em diversas manifestações artísticas e educativas.

Eventos culturais, feiras literárias e projetos educacionais frequentemente incluem apresentações de cordelistas.

 

9. A Contribuição de Mestre Pádua de Queiróz

Entre os importantes representantes da literatura de cordel no Ceará destaca-se o poeta Mestre Pádua de Queiróz.

MESTRES CHICO EMÍLIA(REISADO, REPENTE E CORDEL), MESTRE PÁDUA DE QUEIRÓZ(CORDEL E XILOGRAVURA) - FOTO: SAMUEL MACEDO - 2025

Atuando na cidade de Baturité, ele se dedica à produção e divulgação da literatura de cordel, contribuindo para a preservação dessa tradição cultural. Que envolve apresentações, oficinas e projetos culturais que incentivam novos leitores e novos autores.

MESTRE PÁDUA DE QUEIRÓZ CORDELIZANDO NA ESCOLA

Como mestre da cultura tradicional popular do estado do Ceará, ele desempenha um papel importante na transmissão de conhecimentos culturais às novas gerações.

Seu trabalho demonstra como a literatura de cordel continua viva e relevante na atualidade.


10. Cordel na Educação

A LITERATURA DE CORDEL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA 
A LITERATURA DE CORDEL NO ENSINO FUNDAMENTAL II - BATURITÉ


A LITERATURA DE CORDEL NO ENSINO FUNDAMENTAL I - BATURITÉ

A literatura de cordel também possui grande importância no campo educacional. Ela pode ser utilizada como ferramenta pedagógica para ensinar:

leitura

escrita

história

cultura popular

Os versos rimados ajudam os alunos a desenvolver habilidades linguísticas e estimulam o interesse pela leitura.

Além disso, o cordel permite abordar temas históricos e sociais de forma acessível e interessante.

Projetos educativos que utilizam o cordel ajudam a valorizar a cultura regional e a fortalecer a identidade cultural dos estudantes.

 

11. Cordel na Atualidade

Mesmo com o avanço da tecnologia, a literatura de cordel continua presente na sociedade contemporânea. Hoje, os cordéis podem ser encontrados não apenas em folhetos impressos, mas também em livros, sites e redes sociais.

Muitos cordéis também foram adaptados para outras formas de arte, como: teatro, música e cinema. Essas adaptações demonstram a capacidade do cordel de se reinventar e continuar relevante.

 

12. O Futuro da Literatura de Cordel

O futuro da literatura de cordel depende da valorização cultural e da transmissão desse conhecimento às novas gerações.

A participação de jovens escritores, a inclusão do cordel em projetos educacionais e o apoio a artistas populares são fatores fundamentais para garantir a continuidade dessa tradição.

Festivais, encontros literários e projetos culturais desempenham um papel importante nesse processo.

 

Conclusão

A literatura de cordel é uma expressão artística que une poesia, narrativa, tradição oral e identidade cultural.

 

Ela registra histórias do povo, preserva memórias coletivas e transmite valores culturais importantes.

Ao longo dos séculos, o cordel se transformou e se adaptou às mudanças sociais, mantendo sua relevância cultural.

Artistas e mestres da cultura popular, como Mestre Pádua de Queiróz, desempenham papel fundamental na preservação dessa tradição.

 

MESTRE PÁDUA DE QUEIRÓZ - O CORDELISTA

Valorizar o cordel significa valorizar a história, a cultura e a identidade do povo brasileiro.

Por isso, estudar, divulgar e preservar a literatura de cordel é uma forma de garantir que essa rica tradição cultural continue viva para as futuras gerações. 

LITERATURA DE CORDEL E O POETA CORDELISTA MESTRE PÁDUA DE QUEIRÓZ

Pádua de Queiroz é um renomado Mestre da Cultura Tradicional Popular do Ceará (2022) e cordelista de Baturité. Destaca-se por rimar temas regionais, históricos e sociais, além de inovar com a técnica de xiloesferogravura (ilustrações com caneta esferográfica em madeira), atuando ativamente na preservação da memória e literatura nordestina. 
www.secult.ce.gov.br www.secult.ce.gov.br

Destaques da Obra e Estilo: Mestre da Cultura: Reconhecido como Tesouro Vivo do Ceará, dedica-se à literatura de cordel, rimas e à valorização da cultura popular, segundo o Instragram de Pádua de Queiroz e o documento da Secult Ceará. Xiloesferogravura: Desenvolveu técnica própria de ilustração, utilizando caneta esferográfica sobre madeira, criando uma identidade visual única para seus folhetos, conforme visto no Instragram de Pádua de Queiroz. 
ENCONTRO DE MESTRES: MESTRE PÁDUA DE QUEIRÓZ(LITERATURA DE CORDEL), MESTRE GERALDO AMANCIO(REPENTE E LITERATURA DE CORDEL), MESTRE CHICO BELO(ARTESANATO EM COURO E SELEIRO). Clube da Caixa, Fortaleza - 2025


Temas abordados: Seus versos narram memórias, histórias locais (como o Museu Ferroviário e a Unilab), e o cotidiano do sertanejo. Atuação: É uma figura ativa na cena cultural de Baturité e região, participando de feiras e eventos literários, segundo a matéria da Unilab. www.secult.ce.gov.br www.secult.ce.gov.br +3 Pádua de Queiroz é um guardião da rima e da arte nordestina, unindo a tradição oral ao ofício da escrita. www.secult.ce.gov.br www.secult.ce.gov.br
Mestre Pádua de Queiróz. Foto: Samuel Macedo - 2025